Chegou a hora de dar um tempo nos debates políticos, nas análises socioeconômicas dos quadrinhos e em toda a densidade acadêmica que a gente ama fingir que domina — e focar no que o povo realmente quer quando vai ao cinema ver um blockbuster de hominho superpoderoso: as referências. Aquelas piscadinhas visuais e narrativas que fazem você se inclinar pro lado, dar uma cotovelada no seu colega e sussurrar com orgulho: “Isso aí é da Action Comics #237!”.
Neste post, reuni todas as referências e easter eggs que consegui pescar nas minhas duas idas ao cinema pra ver Superman (2025). Pode ser que alguma tenha escapado? Claro! Então já te convido a deixar aí nos comentários qualquer detalhe que você viu e eu não. E, como bônus, também vou especular um pouco sobre o que James Gunn pode estar preparando pros próximos passos do DCU.
O Texto de Abertura
Muita gente saiu do cinema comparando aquele texto de abertura de Superman (2025) com os icônicos letreiros de Star Wars — e, olha, não dá pra negar que ambos cumprem o mesmo papel: te jogar de cabeça num universo que já tá em movimento, com uma história muito maior do que cabe em duas horas de filme. Mas, pra mim, a semelhança mais certeira não tá numa galáxia muito, muito distante, e sim nos text boxes dos quadrinhos. Sabe aquelas caixinhas que aparecem no canto das páginas, com a narração contextualizando a cena? Pois é. Seja um narrador-personagem ou uma voz onisciente, essa estrutura é um clássico dos gibis — e vê-la sendo usada no cinema, desse jeito, é algo que eu amo.
Essa abordagem é, aliás, um baita refresco narrativo. Depois de uma década de histórias de origem batidas, engessadas e pasteurizadas, ver o cinema se aproximar da linguagem dos quadrinhos com mais liberdade é uma lufada de ar fresco. Já chega de mostrar a nave caindo na Terra, o bebê no campo de milho, a crise de identidade no ensino médio. Bora contar histórias que já estão em curso, como os quadrinhos sempre fizeram.
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| Meta-gene. |
Mas voltando ao texto em si: ele revela que o primeiro registro de meta-humanos na Terra é de 300 anos atrás, o que marca o início da chamada “Era de Deuses e Monstros”. A escolha do termo “meta-humano” é interessante — ele foi popularizado nos quadrinhos a partir da saga Invasion! de 1988, mas já naquela altura o universo DC tinha pelo menos 50 anos de super-seres que se encaixariam nessa classificação. O termo virou um guarda-chuva para qualquer um com poderes extraordinários que não fosse alienígena, mágico ou divino de nascença.
Uma das melhores abordagens modernas sobre os meta-humanos, na minha opinião, é a da animação Justiça Jovem (especialmente a partir da segunda temporada), que explica com muito mais clareza o que é o tal do meta-gene, como ele se manifesta e como influencia politicamente e biologicamente o mundo ao redor. A série ainda faz uma conexão genial entre a origem do meta-gene e Vandal Savage — o neandertal imortal que, depois de se deitar ao lado de um meteorito brilhante, ganha poderes e se torna o “ancestral comum” de todos os meta-humanos do planeta. Sabendo que James Gunn já declarou ser fã da animação, não seria nada absurdo imaginar que ele possa incorporar essa ideia no cânone do novo DCU.
Aliás, se esses meta-humanos estão por aí há 300 anos, faz sentido pensar que, por muito tempo, tenham vivido escondidos ou tenham sido caçados, temendo a retaliação humana. Isso abre um leque de possibilidades temáticas incríveis pra se explorar no futuro.
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| Jason Blood. |
Ah, e se estamos falando de 1700 como ponto de origem pública dos meta-humanos... o único personagem que me vem imediatamente à cabeça nessa época é Jason Blood — o hospedeiro do demônio rimador favorito da DC, Etrigan. Não seria nenhuma surpresa se Gunn resolvesse escalar o próprio Jason como o "primeiro meta-humano público". Ele adora escavar personagens menos conhecidos e recontextualizá-los de forma criativa. Mas sendo bem honesto: minha aposta em Jason Blood é puro clubismo mesmo, porque eu acho o personagem muito maneiro.
E pra fechar com chave de ouro: “Era de Deuses e Monstros”, além de subtítulo desse primeiro capítulo do DCU, também é uma referência por si só. Ele aparece como nome do quarto capítulo da minissérie DC: A Nova Fronteira, de Darwyn Cooke, e mais recentemente foi usado no filme animado Liga da Justiça: Deuses e Monstros (2015), que reimagina os heróis com versões mais sombrias e alternativas. Pode ser que esse título seja só uma coincidência estilosa... mas vindo de James Gunn, eu duvido. Tudo indica que ele está preparando algo que, ainda que não seja uma adaptação direta, carrega pelo menos o espírito de A Nova Fronteira.
Superman perdeu. Pela primeira vez. Mas… será mesmo?
Ainda na sequência de abertura, uma frase chama a atenção: Superman foi derrotado há três minutos. E não é só o fato em si que impressiona — o texto deixa claro que essa foi a primeira vez que isso aconteceu. Agora segura esse dado, porque ele joga gasolina num debate que já tá pegando fogo desde que James Gunn assumiu o comando do novo DCU: o que do DCEU ainda vale? O que é canônico e o que virou só um sonho confuso nessa transição de universos?
Gunn já deu algumas respostas sobre isso — do jeitinho enigmático que ele adora. Disse que certos projetos vão continuar, como a primeira temporada de Pacificador, que permanece firme no novo universo. E chegou até a mencionar, num tweet, que O Esquadrão Suicida (2021) é “uma memória imperfeita” dentro do DCU. O que é isso? É cânone? É quase cânone? É tipo aquela lembrança de infância que você não sabe se sonhou ou viveu? Enfim.
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| Bloodsport. |
O ponto é: no filme O Esquadrão Suicida, é dito que o Bloodsport (Idris Elba) mandou o Superman pro hospital com uma bala de kryptonita — informação que, aliás, também existe nos quadrinhos. Só que, claro, quando esse roteiro foi escrito, o Superman ainda era o Henry Cavill, numa fase da DC que já foi chutada pra escanteio com honras militares e um fundinho de tristeza.
Aí entra o impasse: esse evento conta como a tal primeira derrota do Superman? Dá pra argumentar que não — uma tentativa de assassinato não é necessariamente uma batalha perdida. Pode ter sido um ataque surpresa, uma escaramuça, um “vale-tudo sem juiz”, sei lá. Além disso, o Superman (2025) revela mais tarde que a kryptonita não existe mais na Terra. O que levanta uma hipótese interessante: talvez o incidente com o Bloodsport tenha esgotado ou afetado o estoque de kryptonita, tornando-a rara ou extinta — uma mudança que faz sentido dentro da lógica do universo.
E falando em kryptonita, vale dizer: ela tá muito bem estabelecida nesse novo cenário. Luthor, a secretária de defesa dos EUA, o Metamorfo e até o Senhor Incrível demonstram ter conhecimento profundo sobre o elemento, suas propriedades e, claro, seu potencial como arma. Isso sugere que ela já foi amplamente estudada — e talvez usada — no passado recente. Seja como for, Gunn parece estar usando essas peças pra montar uma nova mitologia, onde eventos anteriores devem ser mencionados de forma mais descompromisada.
O Legado dos El e a Krypton (não tão perfeita assim)
Tá na hora de falar dos El. E olha… esse tópico rende. Eu até pretendo fazer um post só sobre a dimensão alienígena do Superman e como ela se relaciona com temas como xenofobia, o mito de Moisés e o arquétipo do estrangeiro. Mas, como prometido, este post aqui é menos tese de mestrado e mais aquele guia compilado de referências que os fanboys tanto gostam.
Entre todas as referências e escolhas do filme, talvez a mais polêmica seja a reinterpretação das motivações de Jor-El e Lara. Esqueça aquele casal impecável que manda Kal-El pra Terra como um gesto altruísta de esperança. Aqui, a coisa é mais sombria, mais dúbia — e, pra muita gente, desconcertante. Eu mesmo comentei sobre isso na minha resenha do filme (que você pode ler aqui), dizendo que era uma das minhas maiores preocupações. E prometo que vou mergulhar mais fundo nisso naquele post futuro. Mas por enquanto, quero mostrar de onde Gunn pode ter tirado essa versão... e por que ela não veio do nada.
Pessoalmente, eu sempre curti quando os kryptonianos — e, por extensão, os pais biológicos do Clark — são retratados como seres arrogantes, frios, cheios de hubris, convencidos de que são os ápices da evolução cósmica. Isso adiciona camadas à trajetória do Superman, e talvez seja exatamente essa a leitura que Gunn está trazendo para o seu universo cinematográfico. Porque, convenhamos: o Superman não precisa ser prisioneiro da filosofia de Krypton, assim como não precisa ficar preso na ideia de ser o defensor cego do “American Way” — como na polêmica fase do John Byrne no pós-Crise, onde o Clark rejeitava tudo que era alienígena com uma boa dose de conservadorismo advinda de seu autor.
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Superman da fase de John Byrne. |
A real é que bondade é um conceito universal. E o verdadeiro poder do Superman está justamente na sua capacidade de reconhecer o que é justo em meio a sistemas de valores conflitantes, dilemas éticos e tensões sociais. Talvez essa nova versão do herói perceba as falhas nos ensinamentos de seus pais biológicos — e decida traçar seu próprio caminho. E isso é riquíssimo. É o velho debate entre natureza e criação, já abordado em várias encarnações do personagem, mas que aqui ganha uma nova roupagem.
Alguns têm comparado esses novos kryptonianos aos viltrumitas de Invencível ou aos saiyajins de Dragon Ball Z — e ok, tem uma vibe parecida. Mas é importante lembrar que essa abordagem “arrogante e potencialmente perigosa” da cultura kryptoniana precede a popularização desses outros universos. John Byrne já fazia isso lá atrás, desconstruindo os mitos dourados da Krypton pré-Crise e retratando o planeta como uma civilização fria, quase sem emoção, que via seus cidadãos mais como dados genéticos do que como pessoas. A célebre (e hoje meio controversa) frase “Foi Krypton que me fez Superman, mas é a Terra que me fez humano” vem exatamente dessa fase — e dá pra ver que Gunn bebeu direto dessa fonte.
Fica a expectativa agora para o próximo projeto do DCU: Supergirl – Mulher do Amanhã. Se o Superman está apenas começando a perceber que seu mundo natal não era esse paraíso idealizado, Kara — que viveu aquilo — pode trazer uma perspectiva ainda mais dolorosa e profunda. Vai ser interessante ver como ela lida com o fato de que o planeta pelo qual ela sente saudade talvez... nem mereça tanta saudade assim.
Boravia e Jarhanpur — direto dos confins do lore obscuro da DC
Dois nomes piscam na tela durante o filme e, se você é do tipo que bate o olho e já saca uma referência obscura de 1939, parabéns: você é meu tipo de gente. Estou falando das nações fictícias Boravia e Jarhanpur, que aparecem como peças geopolíticas no tabuleiro global do universo de Superman (2025).
Esses dois países existem nos quadrinhos, sim — e inclusive já comentei brevemente sobre eles em outros posts. Mas vamos dar agora o merecido holofote:
Boravia é uma das nações fictícias mais antigas da DC. Sua estreia foi lá em Superman #3, em 1939, onde o próprio Homem de Aço ajuda a impedir uma guerra civil por lá. Com o tempo, Boravia foi esquecida, reaparecendo apenas nos quadrinhos do Falcão Negro, aonde é descrita como um pequeno reino alpino “não muito longe do antigo país de Hendrickson”. Clássico território europeu genérico, mas com pedigree histórico.
Já Jarhanpur tem uma origem mais recente e um tempero bem diferente. Ela surgiu em JLA #2 de 2002 e foi apresentada como uma monarquia milenar profundamente conectada à magia, governada pelo Rama Khan — título hereditário de um rei-feiticeiro que também acabou virando vilão da Liga da Justiça. A parada é mística de verdade: o povo local diz que Jarhanpur é uma “Terra Viva”, e em uma saga do passado chamada Era Obsidiana, o Rama Khan daquela época chega até a governar Atlântida ao lado de Gamemnae (até ser traído).
Agora, sejamos honestos: é bem difícil que essa versão do universo DC que James Gunn está montando vá explorar todo esse lado místico e atlantiano de Jarhanpur. Pode ser que ele nos surpreenda — vai que aparece um Rama Khan ou uma menção perdida à magia antiga —, mas tudo indica que, nesse caso, a inspiração ficou mesmo só no nome.
Ah, e um detalhe importante: Boravia e Jarhanpur não têm qualquer relação nos quadrinhos. Não fazem fronteira, não dividem cultura, nada. Se estão lado a lado no filme, é provavelmente um ajuste geopolítico criativo pra compor o cenário internacional do DCU. E sinceramente? Funciona. Dá aquela sensação de um mundo vivo, cheio de histórias paralelas esperando pra serem exploradas... ou ignoradas, como as melhores referências.
Vasil Ghurkos, o ditador remixado direto das profundezas da DC
Chegou a hora de falar sobre o vilão da vez: Vasil Ghurkos. Se você procurou por esse nome nos quadrinhos e não achou... não se preocupe. Ele não existe diretamente nas HQs da DC. Mas como quase tudo nesse filme, há rastros, inspirações e ecos de personagens obscuros, misturados com escolhas de bastidores que ajudam a montar o quebra-cabeça.
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| Bialya e Coronle Harjavitti |
Lá no início da produção desse filme — quando ainda atendia pelo nome de Superman: Legacy — circulava a informação de que o conflito internacional da trama teria como pano de fundo a nação fictícia de Bialya, velha conhecida dos quadrinhos. E pra quem está por dentro: sim, Bialya já foi mencionada em Creature Commandos, e tem conexões com o submundo de Gotham, inclusive com o mafioso Rupert Thorne.
Não sei se Gunn resolveu guardar Bialya pra um momento mais bombástico (ela tem muito mais lore e fãs do que Boravia, convenhamos), mas o fato é que ela acabou ficando de fora deste filme. Ainda assim, alguns resquícios da ideia original parecem ter sobrevivido — o mais evidente é o próprio Ghurkos, que carrega toda aquela aura de ditador bufão que lembra muito o clássico vilão Coronel Rumaan Harjavitti, líder de Bialya nos quadrinhos.
Inclusive, vale lembrar que o ator Bassem Youssef chegou a ser escalado pra interpretar Rumaan Harjavitti — até ser removido do elenco após se posicionar publicamente a favor da Palestina. (Sim, esse é o tipo de bastidor que vale a pena acompanhar. Se quiser saber mais, tem essa aqui).
Mas olhando o projeto final com mais distância, talvez tenha sido uma escolha consciente retirar Bialya e evitar que o conflito tomasse um tom ainda mais caricato. Boravia, nesse contexto, acaba funcionando como um país fictício mais “neutro” pra desenvolver o tema sem bater tão de frente com paralelos do mundo real.
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| Ghurkos. |
Agora, voltando ao foco: Vasil Ghurkos pode não ser o Rumaan literal, mas compartilha do mesmo DNA. E o nome Ghurkos, por mais obscuro que pareça, não foi tirado do nada. Ele remete a um vilão que apareceu uma única vez numa história da Mulher-Maravilha nos anos 50. Esse Ghurkos era o tirano de um lugar chamado Fobos, que sequestrou o carismático Duque Dorna e incriminou Steve Trevor por seu assassinato. A cereja do bolo? Seu plano envolvia um julgamento distorcido onde Steve seria executado independentemente da resposta — se dissesse a verdade, mentisse ou confessasse.
Ou seja, o tipo de vilão sádico e teatral que claramente faria parte do catálogo da Era de Ouro. E cá entre nós: é sempre bom ver o James Gunn cavando fundo no acervo da DC em vez de simplesmente inventar personagens novos. Existe algo muito respeitoso (e divertido) nessa prática de recontextualizar figuras esquecidas do passado e dar a elas uma nova roupagem.
Planet Watch ou... Stormwatch com outro crachá?
Uma das adições mais interessantes (e levemente suspeitas) do universo apresentado em Superman (2025) é a equipe Planet Watch, financiada— claro — pelo nosso egomaníaco favorito, Lex Luthor. Mas se você conhece os quadrinhos, esse nome deve ter acendido uma lâmpada: isso aí é um espelho direto da Stormwatch.
Nos quadrinhos, a Stormwatch era uma equipe de super-humanos financiada pelo governo, incumbida de lidar com ameaças globais — tipo uma ONU de supers, só que com mais porradaria e menos burocracia. Mas o que realmente importa aqui é o que veio depois: com o tempo, a Stormwatch se desilude com o sistema, rompe com o governo e se transforma em algo muito mais radical — nasce então The Authority.
E é aqui que as coisas ficam realmente interessantes. Porque no time do Luthor já temos ninguém menos que a Engenheira, personagem canônica da equipe Authority nos quadrinhos. Ela é uma das fundadoras da versão mais famosa da equipe.
Então, o que parece estar se desenhando é o seguinte: Luthor montou sua versão da Stormwatch, com financiamento, controle e fachada de moralidade... mas em algum ponto, essa equipe (ou pelo menos parte dela) vai se dar conta de que tá sendo usada. E aí, meu amigo, pode surgir a Authority cinematográfica: uma equipe que age sem pedir permissão e acredita que os fins justificam os meios.
E não é só especulação: um filme da Authority já foi anunciado como parte do DCU desde seus primeiros rascunhos, lá atrás quando o Gunn ainda estava com o lápis afiado e o quadro branco cheio de anotações. Então sim — o terreno já está sendo preparado, e essa versão da Engenheira provavelmente será o elo de transição entre a Planet Watch e a futura Authority. Com sorte, veremos esse racha acontecer ainda nessa primeira fase do universo.
Flo Crawley subiu na vida — e a gente ama ver isso
Flo Crawley está de volta! Quem?, você pode estar se perguntando com a testa franzida. Calma, eu te refresco a memória.
A Flo é aquela funcionária do gabinete da Amanda Waller que, lá em O Esquadrão Suicida (2021), teve a audácia — e a força de caráter — de descer um taco de golfe na própria chefe pra evitar um ataque nuclear. Lembrou agora? Pois é, lendária.
Quando ouvimos dela pela última vez, na primeira temporada de Pacificador, foi mencionado que ela tinha sido presa pela rebelião. Justo. Mas o mundo dá voltas — e agora, Flo reaparece em Superman (2025) não só livre, mas promovida. Ela está sentada à mesa, toda profissional, participando das discussões sobre a Planet Watch de Lex Luthor como se tudo fosse normal.
Agora, não dá pra saber com certeza se essa ascensão meteórica tem algo a ver com o exposed que a Waller levou da própria filha no final de Pacificador, mas que há uma ligação, há. Alguém precisava tapar buracos naquela estrutura depois que o castelo da Rainha Waller começou a desmoronar — e aparentemente a Flo foi a única que conseguiu sair com dignidade.
Nos quadrinhos, aliás, a Flo não é só uma figurante técnica. Ela é uma especialista em TI, coordenadora da Força-Tarefa X e — pasmem — prima mais nova da própria Amanda Waller. O que abre ainda mais portas (e conflitos) caso a série Waller resolva explorar o drama familiar por trás dessa máquina governamental disfuncional.
Resumindo: Flo Crawley é um daqueles personagens de fundo que, quando retornam, aquecem o coração de quem presta atenção nos créditos. Ela já fez história com um swing, e agora pode estar pronta pra deixar sua marca na nova fase do DCU.
O Restante do Gabinete.
Mais um rostinho conhecido surge discretamente na trama de Superman (2025), e não dava pra deixar passar: Rick Flag Sr., interpretado por Frank Grillo, marca presença mais uma vez — e com isso, já soma aparições nos três primeiros projetos oficiais do DCU. Ele apareceu primeiro em Creature Commandos, agora dá as caras aqui, e já sabemos que vai voltar em Pacificador – Temporada 2.
Ou seja, o homem tá construindo lore, e eu tô ansioso pra ver onde essa trajetória vai dar. Por enquanto, sua participação é breve, mas é sempre bom ver como Gunn está costurando esse universo com consistência e continuidade.
Dividindo a cena com ele está o General Mori, interpretado por James Hiroyuki Liao. E aqui a gente entra num daqueles momentos de “quem?” Porque, até onde sei, o General Mori não tem equivalente nos quadrinhos, o nome Mori está até relacionado com Rina Mori, uma lanterna verde de uma terra apocalíptica.
E convenhamos: colocar o General Lane nessa posição teria sido uma escolha bem natural, ainda mais com Lois já estabelecida. Mas talvez fosse informação demais pro espectador digerir — porque pensa comigo: o Superman já tá lidando com o Lex Luthor, a Engenheira, o Ultraman, um conflito geopolítico em Boravia e aí ainda teria que apertar a mão do sogrão conservador? Melhor guardar esse drama pra um outro filme, né?
Por fim, fechando a mesa, temos Albert Tyler, interpretado por Luis R. Hernandez. Ele também pode parecer só um figurante com gravata, mas fãs de quadrinhos mais atentos vão reconhecer o sobrenome. Nos quadrinhos, Albert Tyler foi procurador-geral nos anos 80 e, mais importante, pai da heroína Phantom Lady (Dee Tyler), membro dos Freedom Fighters. Aqui no filme, ele tem pouco tempo de tela, quase nenhuma fala marcante, mas serve bem ao propósito de... bom, ser o alvo de uma piadinha sobre Kryptonita, cortesia do humor afiado de James Gunn.
No geral, é uma cena rápida, mas cheia de sementinhas sendo plantadas. Alguns personagens podem crescer no futuro, outros podem ter servido só pra deixar a sala mais cheia e a mesa mais governamental. Mas o fato é: esse universo tá se expandindo, personagem a personagem, e Gunn tá colocando suas peças com uma calma quase maquiavélica.
LuthorCorp.
Se tem uma coisa que ficou clara nesse filme é que nenhum personagem aparece por acaso. Todo mundo ali tem alguma raiz — nem que seja um galho meio torto — fincada em alguma edição antiga dos quadrinhos. É por isso mesmo que a presença do General Mori, sem equivalente direto, me causou tanto estranhamento. Porque o resto? O resto é praticamente um desfile de deep cuts do lore do Superman, especialmente dentro da equipe de Lex Luthor.
Começando pelos mais reconhecíveis: Eve Teschmacher (Sara Sampaio) e Otis Berg (Terence Rosemore), dois capangas que fizeram sua estreia lá atrás, no filme clássico do Richard Donner, e agora ganham uma repaginada sob as lentes de James Gunn. A Eve, por exemplo, tá envolvida numa subtrama que inclui uma obsessão por Jimmy Olsen, o que já é por si só uma piscadela para os velhos quadrinhos do Jimmy, onde ele basicamente é o maior pegador da era de prata. Além disso, o momento em que Eve trai Luthor remete diretamente ao filme do Donner — na versão original, ela salva o Superman da Kryptonita por ver um resquício de bondade no escoteiro. Aqui, ela age como informante para Jimmy e deixa claro que Lex não é exatamente um príncipe encantado.
O Otis, por sua vez, tá mais contido. Ele não tem o mesmo perfil bufão e desastrado da versão de 1978 (infelizmente, porque seria hilário), mas o ator Terence Rosemore já está confirmado na próxima temporada de Pacificador, então vai saber o que vem por aí.
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| Otis e Eve no clássico de Donner. |
Agora, bora mergulhar no hardcore do lore: os outros membros da LuthorCorp são praticamente uma enciclopédia de referências obscuras — e eu vou passar rapidinho por cada um, porque senão esse post vira um tratado acadêmico.
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| Sydney Happersen |
Sydney Happersen (Stephen Blackehart): esse é retirado diretamente das HQs. Um cientista fiel a Lex que, nos quadrinhos, é aquele tipo de funcionário que toda mega corporação do mal precisa: altamente qualificado, fiel até demais… e com um pézinho na tragédia grega. Nos quadrinhos, Happersen era o cientista-chefe da LexCorp, um gênio da engenharia que serviu Luthor com devoção quase religiosa por anos. Até que um dia, no meio da famosa saga A Queda de Metrópolis, Lex ameaça lançar uma chuva de mísseis ultrassônicos sobre a cidade caso Superman chegasse perto demais. O azulão, como bom diplomata, tenta tocar o coração do careca dizendo: "Você quer ser lembrado como um genocida, Lex?". E pasmem… Luthor recua.
Mas o nosso querido Happersen? Ficou indignado com a fraquejada do patrão. Decidiu resolver a parada ele mesmo, apertou o botão do apocalipse e — surpresa! — foi eletrocutado no processo. E apesar de Superman, Supergirl e Superboy terem salvado a maior parte da cidade, o prejuízo foi grande: Planeta Diário e Torre LexCorp viraram poeira.
Já no filme do Gunn, Happersen é bem mais pé-no-chão. Tá lá na função de “cientista sensato que implora pro chefe não brincar com buracos negros como se fossem Beyblades cósmicos”. Não explode nada, não morre de forma dramática, mas também não decepciona. Serve como a voz da razão na sala de reunião da loucura que é a LuthorCorp. Quem diria, né? Gunn desenterrou o cara e deu a ele uma segunda chance — com menos impulsividade e mais bom senso.
O Sydney apareceu bem recentemente no decepcionante jogo do Esquadrão Suicída - Mate a Liga da Justiça. Mas sinceramente... eu prefiro nem lembrar desse jogo.
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| Cheryl Kimble. |
Cheryl Kimble (Giovannie Cruz): Se o nome não é estranho para você, é por que a personagem teve uma certa relevância no Arrowverso, aparecendo em alguns episódios de Superman e Lois. Retratada como uma veterana condecorada que caiu em desgraça quando namorou Lex Luthor , que eventualmente a forçou a se tornar uma criminosa depois que ele subiu ao poder através de suas conexões. Sob as ordens de Lex, ela assumiu o pseudônimo de " Gretchen Kelley ", sequestrou e tentou matar Sam Lane .
Aqui pode até parecer uma figurante aleatória na equipe do Luthor no filme… mas se você é dos meus, que vive fuçando o fundo do baú da DC, sabe que essa mulher tem um passado alienígena — literalmente. Nos quadrinhos, a Dra. Kimble era a líder da divisão espacial da LexCorp e ficou obcecada com uma transmissão captada do espaço profundo. E ao invés de ignorar como qualquer pessoa sensata faria… ela foi investigar. Resultado? Topou com xenomorfos. Sim, os mesmos de Alien – O Oitavo Passageiro. Só que versão DC, com pedigree canônico e tudo.
A saga Superman vs. Aliens é oficial dentro do universo Pós-Crise DC, e Cheryl tá lá com o pé enfiado até o último parágrafo. Ela não só sonha em capturar e estudar formas de vida extraterrestres como tá mais do que disposta a colocar a própria vida (e a dos outros, claro) em risco pra isso.
No filme do Gunn, ela aparece apenas de fundo. Queria muito que não fosse um cameo à toa. Se tem uma coisa que Gunn sabe fazer é dar holofote pra personagens obscuros e depois soltá-los no caos. E, vamos combinar, se um dia a DC resolver dar um jeitinho de integrar xenomorfos e predadores no seu novo universo cinematográfico... essa mulher vai ser a porta de entrada com um crachá da LuthorCorp.
Vai rolar? Provavelmente não. Mas se acontecer, você leu aqui primeiro.
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| Jessop. |
Ms. Jessop (Bonnie Discepolo): foi o primeiro nome da equipe do Luthor que me fez dar aquela travada com a pipoca na mão. Eu tava stalkeando o IMDb e pensei: "Calma aí... nem ferrando que o Gunn fez isso?!" E sim, meu caro leitor atento, ele fez.
Se você leu a saga Superman: Black Ring (que inclusive recomendo muito — a saga acompanha Luthor tocando o terror em busca da energia negra do Nekron, com um final de cair o queixo), vai lembrar que Jessop não é só uma funcionária qualquer da LexCorp. Ela acompanha Lex até a Antártida, atrás das misteriosas cúpulas ligadas ao Anel Negro, e já começa a dar ruim aí mesmo. A radiação do lugar afeta Jessop de um jeito tão bizarro que ela tenta matar o pobre Spalding (o estagiário que se lasca), e só não consegue porque a Lois Lane robótica dá um chega pra lá.
Mas não para por aí. Ela ainda vai com Lex até Uganda — onde, claro, eles topam com o sempre adorável Gorilla Grodd. Spoiler: quase morre de novo. Depois disso, vira refém do Vandal Savage (porque a vida dos figurantes de HQ's é uma roleta russa constante), e quando tenta finalmente revidar a morte do colega Finch, é impedida pela segurança. Lex, como prêmio de consolação, oferece um bônus de cem mil dólares. Clima de empresa, né?
No filme, Jessop tá bem mais contida, aparecendo como uma figurante com nome, mas não com história. Ainda. Porque se tem uma coisa que Gunn adora fazer é plantar sementinha. Quem sabe num futuro próximo ela não ganha uma função mais parruda? Imagina ela dando trabalho ao Jimmy na série dele? O potencial tá ali, só esperando a faísca.
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| Larry Chin. |
Larry Chin (Paul Kim): Parece só mais um dos nerds da equipe de Lex, com seu tablet na mão e cara de quem já perdeu a fé na humanidade depois da terceira reunião de pauta do dia… Mas se você fuçar nos quadrinhos, vai descobrir que ele é mais do que um rostinho cético no fundo da sala.
Nos quadrinhos, Lawrence Chin é o vilão Combattor — um sujeito transformado por Lex Luthor em uma verdadeira máquina de destruição, com aprimoramentos cibernéticos dignos de Night-City. É aquele tipo de vilão que mistura dilema ético com porrada, perfeito pro estilo de caos controlado que o Gunn curte.
No filme, Chin ainda tá na versão “pré-upgrade”: um técnico comum, falando sobre segurança e protocolo. Mas vai dizer que você também não sentiu aquele cheirinho de personagem esperando o momento certo pra explodir? Com o Lex testando os limites da física e da moral, não seria nada surpreendente ver Chin se tornando um novo protótipo de supersoldado da LuthorCorp.
Fica aí a pulga atrás da orelha. Afinal, se tem uma coisa que Gunn ama, é pegar personagens obscuros e dar pra eles o holofote que ninguém viu chegando.
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Desmond e Dean Farr (Jonah e Christian Lee): Aparecem como dois irmãos no filme — e se você, como eu, também teve um déjà vu de The Batman com aqueles gêmeos do Iceberg Lounge que nunca foram chamados pelo nome (mas que todo mundo jurava que seriam os Tweedle ou os Trigger Twins), saiba que aqui a coisa tem mais lastro nos quadrinhos do que parece.
Esses dois interpretam personagens que fazem referência direta aos Homens-Tigre dos quadrinhos.
Nos quadrinhos, a história vai mais ou menos assim: Dean e Desmond, dois irmãos, se metem numa investigação com Buck Wargo em Bombaim, atrás da lenda dos tais Homens-Tigre. Spoiler triste: Dean morre num acidente, mas Desmond acaba ganhando a habilidade de se transformar nessa fera híbrida — com a força e os instintos de um tigre, mas mantendo a mente de um homem. Um Hulk felino, por assim dizer.
Mais tarde, o Desmond versão felina cruza o caminho de Guy Gardner em uma expedição na América do Sul atrás da tal Água dos Guerreiros — porque se tem uma coisa que a DC não resiste é uma boa combinação de animais místicos + lendas perdidas + personagens com problemas de controle de raiva.
No filme, os Lees ainda estão longe de rosnar e mostrar garras, mas... do jeito que James Gunn adora ressuscitar figuras esquecidas da Era de Prata com carinho e maluquice, não duvido nada que essa seja só a introdução felpuda de algo maior.
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Amanda Marie McCoy (Natasha Halevi): É mais uma daquelas personagens que você pisca e talvez nem perceba no filme... mas que, para quem fuça nas camadas mais profundas dos quadrinhos da DC é uma verdadeira cápsula de potencial narrativo.
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| Amanda Marrie McCoy |
Nos quadrinhos da era John Byrne, Amanda era uma cientista da LexCorp que descobre o óbvio que ninguém mais percebe: que o Superman é na real o bom e velho repórter Clark Kent. (E isso só com base em umas fotos em que a Lana Lang aparecia ao fundo, veja bem.)
Ela leva essa bomba para o Luthor, que como todo bom vilão megalomaníaco, se recusa a aceitar que o maior ser do universo teria o descaramento de viver como um humano comum. Resultado? Demissão sumária e um jantar cancelado (sim, ele a obrigou a ir a um jantar com ele antes disso... bem no estilo Luthor, né?).
Mas Amanda não se dá por vencida. Vai lá e contrata um detetive particular, Matt Stockton, pra investigar o Clark. Só que aí a trama vira uma tragédia noir: o detetive é morto por engano pela Intergangue ao invadir o apartamento do Kent, e Amanda, perturbada e com um anel de kryptonita roubado do Lex na bolsa, marca um encontro com o Clark num cemitério (!). A radiação derruba o Superman, ela entra em pânico e foge — só pra ser morta por dois assaltantes que a confundem com qualquer civil aleatória. Poético e trágico como só os anos 90 sabem fazer.
Ah, e o anel de kryptonita? Acaba nas mãos de um morador de rua que vai parar em Gotham, e adivinha quem encontra o corpo e o anel? O Batman. Porque tudo na DC eventualmente vai parar nas mãos do Batman.
No filme, Amanda McCoy está só ali no fundinho da equipe da LuthorCorp, sem grandes falas ou função, mas, com esse histórico nos quadrinhos, não duvido nada que ela apareça com mais relevância num futuro projeto. E se vier com uma vibe meio thriller investigativo, melhor ainda.
E essa é a magia de James Gunn: pegar personagens esquecidos, dar uma polida e colocar de volta no tabuleiro, às vezes só com uma fala ou uma cena, mas o suficiente pra plantar a dúvida: "Será que ele vai usar mais disso no futuro?". Com esse tipo de atenção ao detalhe, não dá pra duvidar. Pode anotar: algum desses nomes vai voltar pra te surpreender.
Planeta Diário.
Além da LuthorCorp, outro cantinho clássico de Metrópolis que Gunn não deixou passar batido foi o bom e velho Planeta Diário. O jornal favorito de todo mundo que gosta de tomar café ruim e correr risco de vida toda terça-feira. E aqui, como não poderia deixar de ser, temos um verdadeiro buffet de nomes tirados direto dos quadrinhos.
Começando pelos já manjados da praça: Perry White, o eterno editor-chefe que grita “Não me chame de chefe!” com mais força que o Superman bate em robô gigante. Cat Grant, a colunista de fofoca e moda que parece ter pulado para fora dos quadrinhos em termos de caracterização. Steve Lombardi, o esportivo mais boca suja do jornalismo. E claro, Lois Lane e Jimmy Olsen, que nem precisam de introdução. Se você viu qualquer filme ou série da CW nos últimos 20 anos, já trombou com essa galera.
Mas quem fez sua estreia em live-action nesse filme foi Ron Troupe.
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| Ron Troupe. |
Nos quadrinhos, o Ron é aquele jornalista sério, ético e com uma leve cara de “sou o único adulto responsável nesse ambiente caótico”. Ele começou tentando uma vaga no Planeta, levou um não, foi pra revista Newstime, foi demitido (vida de frila, né?), e só então foi acolhido por Perry White pouco antes do Juízo Final conhecido como Apocalipse (sim, aquele mesmo que sentou a porrada no Superman).
Quando o Clark sumiu, foi Ron quem assumiu o posto de repórter-estrela. Foi ele quem cobriu o retorno do Superman, aquele encontro icônico com o presidente Bill Clinton e tudo. E não parou por aí: o cara ainda casou com Lucy Lane, a irmã da Lois — pra desespero completo do General Sam Lane, que deve ter surtado mais que o Lex com ressaca.
No filme, Ron quase passa batido, mas se você tiver os ouvidos atentos (ou legendas ligadas), vai ouvir Perry White chamando ele pelo nome. E ainda o vemos pegando carona na nave do Senhor Incrível com Lois quando a coisa começa a explodir. Ou seja: o homem tá ali, sobreviveu, e quem sabe não ganha mais destaque no futuro?
Se o cabeça branca for espertinho (e ele é), ainda dá pra usar o Ron como aquela voz da razão dentro do jornalismo, num eventual momento onde o Planeta Diário vá enfrentar fake news, controle corporativo ou sei lá — algum Elon Musk da vida comprando tudo. Fica a dica, Gunn.
Marcas de Metropolis.
Metrópolis, neste filme, não é só uma cidade — é um playground de easter eggs. Desde os letreiros até as embalagens de fast-food, a cidade pulsa quadrinhos, homenagens e marcas fictícias que qualquer leitor da DC vai reconhecer e dar aquele sorrisinho cúmplice.
Começando pelos
nomes nas placas e nos comércios: tem
Dan Jurgens, o cara que literalmente
matou o Superman nos anos 90;
Mark Waid, um dos arquitetos das melhores versões do herói nos quadrinhos modernos; e
Alex Ross, o artista que pinta super-heróis como se fossem deuses renascentistas em crise existencial. Ver esses nomes estampando o cotidiano de Metrópolis é um carinho direto no coração de quem cresceu lendo.
Mas nem só de criadores vive a cidade. Ela também respira esporte. O Metropolis Meteors, time de beisebol local, é literalmente palco de porrada: tem cena de briga rolando entre Superman, Ultraman e a Engenheira bem ali no meio do estádio.
E ainda permanecendo no papel de Steve Lombardi: lá em Smallville, no quarto do Clark, tem troféu pra tudo. O moleque era uma lenda local. Tem até uma plaquinha do Smallville Giants, time de futebol americano que já apareceu em várias versões dos quadrinhos. Em algumas delas, inclusive, foi esse talento esportivo que rendeu ao Clark uma bolsa de estudos.

Durante a pancadaria entre Superman e o Martelo de Boravia, quando o Azulão é jogado ao chão antes de ser salvo por Mali, o cenário nos brinda com um easter egg digno de aplausos. No Museu de Arte Moderna de Metrópolis, uma exposição artística mostra uma revoada de pássaros que, aos poucos, formam a silhueta de um avião — uma representação visual da icônica frase: “É um pássaro? É um avião? Não, é o Superman!”. E se você acha que é só coincidência, o nome da exposição aparece mais tarde: "Coyller e Fitzmaurice" , uma clara referência à abertura do programa de rádio The Adventures of Superman, de 1940, onde imortalizou a frase: “Up in the sky! Look! It's a bird! It's a plane! It's Superman!” . James Gunn, mais uma vez, mostrando que até nas artes plásticas de fundo, há espaço para homenagens aos clássicos.

Agora, se te bateu fome no meio do filme, fica tranquilo: o universo DC tem seu próprio delivery. Temos a clássica Big Belly Burger, a rede de fast food favorita do azulão que aprece por diversas vezes no filme. Tem Jitters Coffee Shop, o Starbucks ficcional popularizado pela CW, e os refrigerantes da casa: Soder Cola e Zesti Cola, versões DC da nossa eterna guerra Coca vs Pepsi.
E pra fechar com chave de obsessão alienígena, temos os Chocos, os Oreos genéricos do universo DC — e o lanchinho favorito do Caçador de Marte, que já foi mostrado devorando pacotes e mais pacotes dessa delícia com uma paixão quase espiritual. Se você viu Chocos no filme e não lembrou do J'onn J'onzz, tá precisando reler uns gibis aí, hein?
Gunn não só preencheu o filme com conteúdo visual, ele fez de Metrópolis uma cidade viva, rica e que pulsa mitologia em cada outdoor. É a DC respirando com pulmão cheio.

Ah, e pra quem está preocupado com a geografia do universo — sim, eu sei que isso é um nicho — tem um detalhe sutil, mas muito revelador: as placas dos carros em Metropolis mostram que a cidade fica em Delaware. Mas calma que isso não é invenção do Gunn, tá? Esse posicionamento já tem precedentes nos quadrinhos, onde Metropolis aparece associada ao estado de Delaware em mapas e menções oficiais.
Há diversas referências no filme a localidades de Metropolis dos quadrinhos como Park Ridge , Bakerline e Queensland Park.
E se o DCU resolver seguir o mesmo caminho do material original pra Gotham City, então podemos assumir que ela fica logo ali do lado, em Nova Jersey. Ou seja, Clark e Bruce são basicamente vizinhos de ponte. Se o trânsito não tiver engarrafado, dá pra um convidar o outro pro churrasco de domingo. A placa de Gotham City chega a ser vista durante a evacuação de Metropolis.
Mas por falar em endereço:
A Fortaleza da Solidão.
A icônica Fortaleza da Solidão faz sua estreia no novo DCU com um visual que qualquer fã dos filmes de Richard Donner vai reconhecer na hora: os cristais brancos pontiagudos, a estética minimalista quase etérea — tudo direto do filme de 1978. Mas enquanto nos quadrinhos a Fortaleza geralmente fica no Polo Norte, igual ao Papai Noel, aqui ela está na Antártida. Talvez o Gunn tenha decidido mudar a localização por causa do aquecimento global — afinal, tá difícil encontrar um pedaço de gelo confiável hoje em dia. Seja como for, o espírito do lugar permanece isolado e distante da civilização.
Além da mudança de endereço, outro detalhe interessante é o método de acesso à Fortaleza. No filme, ela se ativa ao reconhecer o DNA Kryptoniano, o que, olha... é bem prático. Mais seguro que senha numérica e mais moderno que biometria facial. Mas isso é uma novidade dentro da tradição do Superman.
Nos quadrinhos, o método clássico — e deliciosamente absurdo — é uma chave gigantesca, do tamanho de um ônibus escolar, colocada em uma tranca igualmente descomunal. Em outras versões, essa chave tem tamanho normal, mas é tão incrivelmente pesada, feita apartir do material denso de uma estrela-anã, que só o Superman (ou alguém com força equivalente) conseguiria levantá-la. Nada de retina escaneada ou reconhecimento de voz — era na base da força bruta e da ostentação kriptoniana mesmo.
A opção de Gunn por usar identificação genética foi para termos um leve foreshadowing do Ultraman ser clone do Azulão.
Krypto.Krypto estreou em 1955, numa revistinha da Adventure Comics, dividindo a capa com Superboy, lá na Era de Prata — aquele período mágico onde os roteiristas da DC diziam "sim" pra absolutamente qualquer ideia.
Originalmente, ele era o mascote de Kal-El em Krypton. Jor-El, aquele gênio visionário com tendências de mandar a família toda pro espaço, testou o foguete do filho mandando o cachorro antes. Sim, Jor-El testou a salvação da espécie com o cachorro.
Com o tempo — e especialmente no pós-Crise — Krypto foi ganhando novas versões e se aproximando mais da Supergirl, herdeira oficial das cafonices cósmicas da Era de Prata nas histórias do Superman. E é justamente essa conexão que Gunn planta no final do filme, talvez preparando terreno pro futuro de Kara Zor-El no DCU.
Visualmente, o Krypto dos quadrinhos já foi de tudo: de labrador comum até um lobo albino alienígena. E olha... eu entendo que você, assim como eu, fica meio desconcertado quando o cachorro de outro planeta tem a mesma anatomia do Rex do seu vizinho. A suspensão de descrença balança bastante para conseguir engolir esse tipo de argumento.
Mas, sejamos sinceros: esse Krypto modelado no cachorro do próprio James Gunn é ridiculamente fofo. Carismático até o último fio de pelo. Pode não fazer muito sentido, mas ganhou um espacinho no coração da galera.
Robôs do Superman.
Criados originalmente nas HQs dessa época alucinada (onde qualquer ideia que parecesse brinquedo vendável virava cânone), os Superman Robots eram ajudantes automáticos, cópias mecânicas do Azulão, usados pra tudo — de guardar a casa até fingir que Clark Kent e Superman são duas pessoas diferentes.
Mas aqui no DCU, James Gunn decide puxar mais da vibe cult da graphic novel All-Star Superman, de Grant Morrison e Frank Quitely. O visual dos robôs no filme é praticamente um abraço direto a essa obra — menos os que eram cópias replicantes do Superman na Era de Prata, mais os andróides estoicos e melancólicos do Morrison.
Pra dar vida a esses robozinhos de coração metálico e voz carismática, Gunn convocou seus já conhecidos "figurões de estimação" — aqueles nomes que aparecem em todos os filmes dele como bons talismãs da sorte. Aqui, os robôs são dublados por Michael Rooker, Alan Tudyk, Pom Klementieff, e Jennifer Holland . Deve ser muito bom ser amigo do James Gunn, você nunca vai ficar desempregado enquanto ele tiver fazendo projetos pro audio-visual.
E olha... eu já sabia que eles iam ganhar meu coração. Desde o G.I. Robot em Creature Commandos, o Gunn mostrou que quando o assunto é robô com personalidade, ele entrega com gosto.
As Inspirações de Lex Luthor
James Gunn pode ter trazido um Luthor com cara nova, mas o DNA desse vilão é uma salada deliciosa de todas as encarnações já vistas nos quadrinhos — com tempero extra da Era de Ouro, uma pitada de Gene Hackman e uma colher de chá de Smallville.
Pra começar, o plano de Lex neste filme — fomentar o caos entre nações — remete diretamente à sua primeira aparição nos quadrinhos, lá atrás em Action Comics #23, de 1940. Sim, já no seu debute ele tava arquitetando conflito internacional.
Mas Gunn também resgata o cientista louco da Era de Ouro/Prata, aquele Luthor mais caricato, e com planos sci-fi para deter o Superman. Ao mesmo tempo, equilibra isso com a versão pós-Crise, quando Lex foi reinventado por John Byrne como um magnata empresarial manipulador. A LexCorp (ou LuthorCorp, aqui) é o epicentro dessa encarnação — e seu visual no filme bebe direto da fonte de Birthright, com aquele estilo arquitetônico que grita: “aqui mora um bilionário do mal”.
E não para por aí. As câmeras voadoras e drones militares que espionam o Superman são eco direto do pós-crise, principalmente da versão Byrneana ou até os drones de combate lembram os utilizados em Birthright.
A famosa
autobiografia não autorizada de Lex aparece discretamente num dos monitores de Lois Lane no filme. Um detalhezinho genial que quase passa batido.
E claro, o plano megalomaníaco de criar “Luthoria” (sim, ele quer fundar um país com o próprio nome) é pura energia Gene Hackman, aquele Luthor do filme de Donner que queria partir a Califórnia ao meio pra fazer um novo litoral com seu nome estampado em tudo.
Os ecos da versão de Hackman também estão presentes na ideia de Luthor conseguir acesso à Fortaleza da Solidão. Mas a parte de manipular as informações de Krypton vem direto de Birthright — onde ele também tenta reescrever a narrativa do Superman pra pintar o kryptoniano como um perigo alienígena. Manipular a mídia, distorcer fatos, usar ciência em favor da destruição: tudo marca registrada.
Ah, e os Raptos e a armadura do Martelo de Boravia? Aquilo ali é uma piscadela direta praquelas armaduras de combate que o Luthor usa nos quadrinhos pra sair no soco com o Azulão. A versão mais específica que o filme parece ecoar são os Lexbots, que surgiram com força em Superman For All Seasons. Gunn, como sempre, sabe brincar com o legado.
Esse Luthor não é só um vilão. Ele é um compilado enciclopédico de décadas de histórias, reinterpretado pra uma nova geração.
Outros Empresários na Cena
Enquanto a LuthorCorp brilha no centro do palco, outros figurões do universo corporativo da DC também marcam presença em Superman — e se você piscou, pode ter deixado passar alguns nomes bem pesados.
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| Simon e Saphire Stagg |
Em certo momento do filme, vemos os imponentes prédios da
Stagg Enterprises, companhia do
vilão Simon Stagg, que nos quadrinhos é o responsável por transformar Rex Mason no
Metamorfo, o Homem-Elemento. E sim, Rex está presente na trama, e com um visual de respeito. Mas a conexão vai além: Stagg é também
sogro de Rex, e sua filha,
Sapphire Stagg, é ninguém menos que a
mãe do Baby Joey, a adorável aberração que derreteu nossos corações (e talvez algumas paredes). Ainda falaremos mais sobre Rex, Saphire e esse bebê mutante.
Simon Stagg já apareceu em diversas outras mídias além dos quadrinhos, incluindo a famosa série de jogos Arkham, onde sua empresa tem papel relevante nos bastidores de Gotham. Na TV, ele marcou presença no Arrowverso, especialmente em The Flash, como um industrial inescrupuloso envolvido com experimentos perigosos. Também é figura frequente nas animações da DC, geralmente como o empresário ganancioso por trás da origem do Metamorfo. Mais recentemente, teve uma breve participação no cinema em Mulher-Maravilha 1984, reforçando sua imagem como o típico bilionário.
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| Maxwell Lord. |
Outra presença que merece destaque é a da
LordTech — a companhia por trás de equipamentos, laboratórios e fundos bem gordos. E se tem LordTech, tem
Maxwell Lord, interpretado aqui por
Sean Gunn, o irmão do chefão James Gunn. Um dos personagens mais intrigantes da DC,
Maxwell começou como um mecenas da
Liga da Justiça Internacional, mas eventualmente mostrou suas garrinhas vilanescas, sendo responsável por algumas das decisões mais polêmicas do universo DC — incluindo, claro,
ter o pescoço estalado pela Mulher-Maravilha numa das cenas mais icônicas da história moderna dos quadrinhos.
Essa é, tecnicamente, a segunda vez que Max aparece nas telonas. A primeira foi com Pedro Pascal em Mulher-Maravilha 1984, mas aquela versão era mais um guru de autoajuda, saído diretamente de um comercial de “fique rico com 5 passos fáceis”. Faltou ali a frieza e a manipulação estratégica que marcam o personagem nos quadrinhos.
Aqui, Gunn começa sutil — nada de discursos ou cenas longas — mas já deixa a sombra de Max bem plantada, seja nos prédios com o logo da LordTech, seja na existência da sua própria super-equipe financiada: a famigerada “Gangue da Justiça”. O cara está montando um tabuleiro, e Lord claramente é uma das peças mais perigosas.
"Se há algo que liberais e conservadores podem concordar é que Lex Luthor não presta!"
Os Óculos Hipnotizantes de Superman
Olha… pra mim esse conceito já era bobo demais pra merecer ser trazido de volta. Mas James Gunn, que aparentemente também não conseguia suspender a descrença o suficiente para aceitar que um par de óculos e um topete bagunçado escondem o Superman, resolveu buscar respaldo nos quadrinhos. A solução veio através de Tom King (sim, o roteirista dos quadrinhos que agora atua como consultor criativo do DCU), que relembrou Gunn de uma edição específica: Superman #330, de 1978.

Nela, é revelado que os óculos de Clark Kent são feitos do vidro da nave Kryptoniana que o trouxe à Terra e, por isso, amplificam um suposto "poder de hipnotismo" do Superman, fazendo com que as pessoas vejam o rosto que ele quer que vejam. Sim, é tão maluco quanto parece — e honestamente, nunca colou muito bem nem nos quadrinhos. A própria DC tratou de retconar essa explicação em edições posteriores, sugerindo que os óculos, na verdade, eram do Jonathan Kent e apenas foram dados ao Clark, sem qualquer efeito mágico ou mental.
Apesar dessa explicação meio capenga, Gunn não se aprofunda demais no filme sobre como esses óculos funcionam ou onde Clark os conseguiu — talvez por vergonha ou só bom senso mesmo. O que importa é que, felizmente, como na clássica atuação de Christopher Reeve, o David Corenswet se preocupa em diferenciar claramente o Clark do Superman. A voz muda, a postura muda, até o cabelo muda. A transformação é sutil, mas evidente. E no fim das contas, é isso que vende o disfarce — e não alguma hipnose esquisita com vidro alienígena.
Ultraman.
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| Ultraman. |
O nome “Ultraman” pode até vir diretamente da versão maligna do Superman da Terra-3 — o líder do Sindicato do Crime nos quadrinhos. Mas a versão que vemos no filme não tem quase nada a ver com esse personagem. A real é que esse Ultraman aqui tem muito mais a ver com Bizarro, o clone defeituoso e distorcido do Superman que já enfrentou o Azulão em diversas encarnações.
Inclusive, em um dos vídeos promocionais do filme, a palavra “Bizarro” aparece escancarada numa manchete de jornal. Então não dá nem pra dizer que é sutil: Gunn quer que você perceba a inspiração. Temos aqui uma cópia com os mesmos poderes, mas com o raciocínio embaralhado, visual degradado e uma lógica completamente torta. Ou seja, totalmente Bizarro.
O filme também não perde a chance de fazer uma brincadeira afiada com o símbolo no peito do vilão — um enorme "U", bem no lugar onde normalmente estaria o icônico “S” do Superman. Durante o confronto, o próprio Clark faz um comentário direto sobre a obsessão de Lex, sugerindo que criar um clone com esse tipo de marca registrada no peito é só mais uma prova da inveja descarada que Luthor sente. E aqui entra a sacada linguística: em inglês, a letra “U” tem a mesma pronúncia de “You” (você), o que transforma o símbolo em uma mensagem nada sutil — “você” quer ser eu. É uma cutucada elegante do Gunn, mostrando que por trás de toda a fachada de controle e superioridade, o Lex do DCU é, no fundo, um sujeito que daria tudo para ser o Superman.
A luta final termina com o vilão sendo sugado por um buraco negro que leva a um universo compacto — e aqui vai minha teoria com base nos quadrinhos: aquilo é claramente a semente do planeta Bizarro, o famoso Htrae, lar de versões distorcidas de tudo que conhecemos. E repare na estética: o design visual lá embaixo tem formas geométricas estranhas, com muitos cubos flutuando, como nos quadrinhos. Aposto que daqui a pouco, esse canto estranho do universo será revelado como lar de versões invertidas dos heróis. Marca aí: Htrae está vindo.
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| Planeta Bizarro. |
As Aventuras de Superman 427 -A Grande Inspiração para o Filme.
Mais uma referência digna de nota: a HQ
The Adventures of Superman #427 é, sem dúvidas, uma das maiores inspirações para o filme — mesmo que James Gunn nunca tenha dito isso abertamente. Enquanto o diretor citou influências mais badaladas como
Kingdom Come,
For All Seasons e
All-Star Superman, quem conhece bem a fase pré-
Crise vai perceber que a espinha dorsal de algumas cenas do longa vem direto dessa edição escrita por Marv Wolfman.
Na HQ, Clark viaja até Qurac, onde enfrenta um presidente tirano e, durante o confronto, é pego por um mutante telepático que planta visões intensas em sua mente. Numa delas, Superman acredita que seus pais o enviaram à Terra não para protegê-la, mas para governá-la. Em outra, precisa lutar contra uma criatura gigante cuspindo fogo — praticamente um kaiju — que, convenhamos, lembra muito bem o monstro que aparece no filme.
A criatura começa pequena, meio fofa até — lembra bastante o Stitch de Lilo & Stitch, com seus olhos grandes e comportamento imprevisível. Mas é claro que, sendo uma arma biológica da LuthorCorp, a fofura dura pouco: ele cresce em escala titânica e se torna um verdadeiro desafio para o Superman. Ainda assim, fiel à sua natureza, Clark não tenta destruir o monstro. Em vez disso, segura seus socos, evita danos colaterais e até verbaliza o desejo de levá-lo para um zoológico intergaláctico — uma menção deliciosa e profunda para os fãs das HQs.
Nos quadrinhos, principalmente na Era de Prata, o
Zoológico Intergaláctico da Fortaleza da Solidão é um dos recantos mais interessantes e bizarros: um santuário para criaturas alienígenas em perigo ou sem lar. O fato de Gunn ter colocado essa fala específica já planta uma semente: será que esse confronto fez Clark começar a pensar em construir algo assim? Seria um aceno sutil ao crescimento da empatia do personagem, além de uma desculpa perfeita para introduzir outras espécies cósmicas e ampliar ainda mais o escopo sci-fi do DCU. Eu não duvidaria nada que vejamos esse zoológico aparecendo, mesmo que em um cantinho, num futuro próximo.
Ainda sobre as inspirações vindas diretamente da fase de Marv Wolfman, mais especificamente da edição The Adventures of Superman #427, é impossível não notar como o diálogo entre Lois e Clark sobre os eventos em Boravia funciona quase como um espelho temático do dilema ético vivido por Clark em Qurac, nos quadrinhos. Na HQ, após ser manipulado por um mutante telepático, Superman acredita que seus pais o enviaram à Terra para governá-la — um conflito interno que o força a confrontar o que significa verdadeiramente usar seu poder em territórios estrangeiros e em conflitos armados. No filme, Lois questiona diretamente Clark sobre suas ações em solo boraviano, levantando questionamentos sobre soberania, responsabilidade e limites morais — e isso tudo sem que o personagem perca sua humanidade.
Assim como na HQ, o Superman de Gunn é colocado diante de um espelho desconfortável, onde ele precisa encarar a possibilidade de que, mesmo com boas intenções, suas ações possam ser interpretadas como interferência imperialista. É uma discussão madura que traz à tona as camadas mais complexas do herói, e mostra que Gunn e sua equipe sabem exatamente de onde estão puxando essas cordas narrativas.
Os Macacos de Luthor
Já que falamos do Kaiju, vale abrir espaço para outro bicho exótico do filme: os macacos de Luthor. James Gunn tem um carinho especial por animais em seus projetos, e isso fica evidente aqui. Além do Krypto, do esquilinho que Superman salva no segundo ato do filme e da senhorinha na evacuação Metropolis levando sua tartaruga em um aquário, há também animais com impacto direto no enredo — no caso, um exército de primatas digitadores que operam como disseminadores de desinformação e ódio virtual nas redes sociais, espalhando hashtags como #Supershit e ajudando a moldar a opinião pública contra o Homem de Aço.
Essa ideia nonsense e genial vem carregada de significado. É uma referência direta à famosa
teoria do “Macaco Infinito”, um experimento mental que sugere que, se você colocar infinitos macacos em infinitas máquinas de escrever, eventualmente um deles vai digitar as obras completas de Shakespeare. Gunn subverte essa teoria mostrando que, com recursos ilimitados e uma agenda manipuladora, Luthor não precisa de um gênio: basta treinar os macacos certos para digitar bobagens convincentes, o suficiente para virar trending topic.
Essa brincadeira também ecoa fortemente a fase mais experimental e metalinguística do Homem-Animal escrita por Grant Morrison, durante a chamada Invasão Britânica dos quadrinhos. Lá, a figura do macaco escrevendo era usada como crítica à própria lógica das histórias em quadrinhos e à aleatoriedade do universo — aqui, Gunn reaproveita esse símbolo com humor, sátira e uma pitada de crítica à era digital.
Cameos na TV
Um dos momentos mais emocionantes (e discretos) para os fãs de longa data está na presença de Will Reeve, interpretando um repórter em Metropolis. Para quem não ligou o nome à pessoa: Will é jornalista na vida real, mas, mais importante ainda, é filho do eterno Superman, Christopher Reeve. Sua participação no filme é uma homenagem singela, mas poderosa — um símbolo de continuidade e reverência à história cinematográfica do Azulão.
Além dele, temos outras presenças marcantes na mídia fictícia do DCU. Jake Tapper, famoso jornalista da CNN, aparece como uma versão satírica de si mesmo com o nome Jack Tapir, um âncora do universo DC. Já o comediante Michael Ian Black interpreta Cleavis Thornwaite, que aparece entrevistando ninguém menos que Chris Smith, o Pacificador, em uma cena hilária. Um detalhe curioso: Michael conseguiu esse papel após fazer uma brincadeira no Twitter com James Gunn — o diretor levou na esportiva, riu... e o contratou!
O universo jornalístico do filme também está recheado de referências canônicas. Entre os canais fictícios, destaca-se a Sphere Network, mas o mais especial para os leitores de quadrinhos é a clássica WGBS News — emissora na qual Clark Kent já foi âncora. Gunn mostra que até nos detalhes televisivos, ele sabe puxar das páginas tudo o que torna o mundo do Superman tão rico.
A Roupagem de Lois Lane
A nova versão da Lois Lane no DCU traz não apenas a inteligência afiada e a ousadia de sempre, mas também uma construção visual e simbólica carregada de referências — tanto aos quadrinhos quanto ao legado cinematográfico da personagem. Desde o início, vemos em tela a
rivalidade clássica entre Lois e Clark, algo muito presente nas HQs, especialmente antes dela descobrir a identidade secreta do colega. A cena da entrevista entre os dois faz essa tensão brilhar: há faíscas no ar, competição de egos e um timing perfeito entre os dois atores, reacendendo aquele tipo de química que só personagens escritos para se desafiar conseguem ter.
Durante a conversa, Clark se refere a Lois como “Cronkite”, uma alusão direta a Walter Cronkite, lendário jornalista da CBS que ficou conhecido como “o homem mais confiável dos Estados Unidos”. Esse apelido é uma piscadela tanto para a postura séria e determinada de Lois quanto para os fãs atentos — Cronkite já foi mencionado também no filme de 1978, reforçando o cuidado de James Gunn com essas camadas nostálgicas.
Mas as pistas não estão só nas falas: o apartamento de Lois é um festival de pequenos detalhes sobre sua história. Um quadro na parede mostra uma reportagem investigativa expondo a corrupção na Stagg Industries, prova de que ela já está de olho em podres corporativos muito antes dos eventos do filme. Outro quadro, enigmático, mostra o céu com rastros de fumaça formando a palavra “LOIS” — uma lembrança de algum gesto feito por Clark nos céus? Um show aéreo militar do pai, General Lane? Fica no ar como uma memória carregada de afeto.
E falando em conquistas: logo abaixo dessa reportagem vemos um prêmio Pulitzer, selando seu prestígio como jornalista — algo que nos quadrinhos é parte canônica da personagem. A Lois de Gunn não é apenas forte e destemida: ela já venceu, e venceu muito.
Por fim, o figurino de Lois é um espetáculo à parte. Todas as suas roupas têm referências diretas — seja à sua jaqueta roxa icônica da série animada, seja a vestimentas dos filmes de Richard Donner, trazendo para o presente uma personagem que, embora modernizada, nunca esquece de onde veio.
A Gangue da Justiça.
O grupo de heróis conhecido informalmente como “Gangue da Justiça” é um dos elementos mais deliciosamente ousados do novo filme do DCU. James Gunn, como de costume, mergulha fundo na mitologia da editora e cria uma equipe que mistura conceitos da icônica Liga da Justiça Internacional com os mais recentes The Terrifics, em uma fusão criativa que soa estranha no papel, mas funciona surpreendentemente bem em tela.
Superman claramente já conhece e trabalhou com a Super Equipe há bastante tempo, mostrando uma sintonia e confiança que indicam relações estabelecidas muito antes dos eventos do filme. Mais adiante, descobrimos que alguns membros do grupo já estão cientes da identidade secreta de Clark Kent, reforçando o quanto ele é parte integrada desse universo de heróis e aliados — uma dinâmica que promete render muita trama e desenvolvimento nas próximas produções.
Vamos falar dos integrantes?
Kendra Saunders, a Mulher-Gavião
Interpretada por Isabela Merced, Kendra talvez seja a personagem com menos destaque em tempo de tela, mas mais promessas de futuro. Para quem não conhece, a Kendra dos quadrinhos é uma reencarnação da princesa egípcia Chay-Ara, que compartilha com Carter Hall (o Gavião Negro) uma maldição de renascimentos infinitos.
Em algumas versões, ela também é descendente dos Thanagarianos, uma raça alienígena com tradição militar e cultura alada. Merced já declarou em entrevistas que sua personagem retém memórias de vidas passadas, e que Gunn tem planos profundos para ela. E, como um fã confesso dos Thanagarianos (que são a melhor raça da DC, sim, você me ouviu!), mal posso esperar pra ver essa mitologia ganhar o tratamento épico que merece, finalmente deixando pra trás a salada editorial que os Gaviões sofreram nos quadrinhos. Ah, e sim — Kendra já deu as caras no Arrowverso, mas vamos combinar que aquela versão fica devendo em comparação ao que esse novo DCU pode construir.
Nathan Fillion entrega um
Guy Gardner hilário, arrogante e absurdamente divertido — exatamente como ele deve ser. Nos quadrinhos, Guy é um dos diversos humanos que serviram na Tropa dos Lanternas Verdes, e sim,
a Tropa é mencionada no filme. É muito provável que vejamos mais de Guy na vindoura série
"Lanterns", onde ele está confirmado. Inclusive, tanto ele quanto Kendra devem
aparecer em participações especiais na segunda temporada de Pacificador, ao lado de
Maxwell Lord, completando esse rolê interconectado do novo universo.
Guy Gardner realmente está excelente, e é quase surreal ver como o personagem foi fielmente adaptado, capturando todo aquele jeito babaca, convencido e explosivo que os fãs conhecem dos quadrinhos. A performance traz vida ao personagem de uma forma tão autêntica que, mesmo em meio a tantos heróis sérios e dramáticos, Guy se destaca como o alívio cômico perfeito — um verdadeiro deleite para quem conhece sua personalidade irreverente e cheia de atitude.
Michael Holt, o Senhor Incrível
E quem realmente
rouba a cena é ele: Michael Holt, interpretado com carisma e inteligência por
Edi Gathegi. Michael é o
segundo Senhor Incrível, aparecendo pela primeira vez em
Spectre #54, criado por John Ostrander e Tom Mandrake. Um gênio em múltiplas disciplinas científicas, atleta olímpico e mestre em combate, ele homenageia o herói da Era de Ouro
Terry Sloane, carregando seu lema de
“Fair Play” estampado no uniforme. Com o uso das suas
esferas T flutuantes, Holt oferece um contraponto racional à impulsividade de outros membros da equipe — e se estabelece como uma figura-chave do DCU.
No filme, ele é mostrado como uma figura já bem estabelecida, com acesso à tecnologia de ponta e uma base de operações que nos deixou babando: o Hall da Justiça. Sim, o Hall já existe. E como dissemos no início dessa enciclopédia de referências, os meta-humanos já são conhecidos do público há mais de 300 anos nesse universo. No mural presente dentro do Hall (que Gunn prometeu lançar em alta resolução no futuro), já é possível ver figuras clássicas da Sociedade da Justiça da América, como Jay Garrick (o Flash original), Pantera, Freedom Beast, Cavaleiro Silencioso e Senhor Destino. Ainda não vamos nos aprofundar, mas pode ter certeza que isso renderá outro post só pra teoria!
E pra encerrar...
Com Holt brilhando tanto e com Metamorfo já presente, parece bem provável que Gunn esteja pavimentando o caminho para uma série ou filme dos Terrifics. Nos quadrinhos, o time é composto por Senhor Incrível, Metamorfo, Garota Fantasma e Homem Borracha — e metade já apareceu nesse longa. Há rumores fortes de que Michael Holt terá sua própria série solo, e eu chutaria que ela vai funcionar como uma origem da própria equipe. Será que ele rompe com a LordTech e monta seu time? É aguardar pra ver…
E já que mencionamos o Metamorfo...
Metamorfo.
Metamorfo, ou Rex Manson nos quadrinhos, é o Homem-Elemento, um personagem com origem ligada à manipulação dos elementos da natureza, tendo o poder de transformar seu corpo em diferentes substâncias e elementos. A interpretação do ator Anthony Carrigan no filme traz uma versão mais melancólica e intensa, mostrando um lado vulnerável e ameaçador que enriquece a complexidade do personagem. Joseph Manson, seu filho, e Saphire Stagg, sua esposa, formam um núcleo familiar ligado diretamente à Stagg Enterprises e ao vilão Simon Stagg, o que complica ainda mais sua trajetória.
Joseph Manson, ou como o filme o apelida carinhosamente,
Baby Joey, é uma referência direta ao filho de
Rex Mason (Metamorfo) e
Sapphire Stagg nos quadrinhos. Nas HQs, Joey é um mutante com uma habilidade extraordinária: ao contrário de seu pai, que altera a composição de seu próprio corpo,
Joey pode transmutar a estrutura atômica de objetos ao seu redor, manipulando prótons e núcleos — algo digno de um Rei Midas radioativo. Essa característica fez com que seu avô, o inescrupuloso Simon Stagg, o visse como um recurso valioso e o mantivesse confinado em um berçário-laboratório, afastado do pai, que só descobriria sua existência anos depois.
No filme, essa dinâmica ganha um tom mais sombrio e trágico: Joey é mantido como refém emocional por Lex Luthor, servindo como garantia para forçar Rex a colaborar na criação da Kryptonita usada para manter Superman enfraquecido dentro da prisão de bolso. Embora o Baby Joey do filme ainda não demonstre poderes como sua contraparte dos quadrinhos, sua presença simboliza o dilema ético e emocional vivido por Rex — preso entre o amor pelo filho e a pressão brutal dos vilões. É um detalhe tocante que dá peso ao personagem e aprofunda o conflito moral em torno da trama.
Ainda não está claro como Rex foi parar na prisão do universo de bolso criada por Luthor, mas é possível imaginar que Simon Stagg tenha feito algum tipo de acordo obscuro com Lex para manter seu genro e neto longe do alcance da própria filha — um verdadeiro “pai do ano”.
Curiosamente, a cena em que Metamorfo manipula uma mão feita de Kryptonita nunca aconteceu nos quadrinhos, mas teve uma inspiração clara em um episódio da Liga da Justiça de 2001, onde uma situação muito semelhante se desenrola, mostrando a influência das animações no filme.
Dimensional Imp.
O tal "Dimensional Imp", como chamado rapidamente por Superman durante sua aparição nos céus noturnos de Metrópolis, é um daqueles elementos que James Gunn insere no filme para provocar mais perguntas do que respostas — e provocar fãs com olhos atentos. Quando surgiu nos trailers, muita gente teorizou que se tratava do Solaris, o sol artificial maligno das HQs, famoso por sua participação em All-Star Superman. Porém, ao invés disso, o nome vago usado por Clark dá a entender outra possível inspiração: os Duendes da Quinta Dimensão, como o clássico Mr. Mxyzptlk.
Apesar de não ser confirmado, o histórico de Gunn com personagens excêntricos e cósmicos (como já mencionado em diversas entrevistas com o Bat-Mite, por exemplo) torna totalmente plausível que esse "Imp Dimensional" seja um aceno intencional ao Mxy ou a algum outro ser da mesma linhagem cósmica e caótica. Ainda assim, ele nunca é diretamente confrontado no longa — seu papel é mais surreal, cômico e atmosférico, um toque de "WTF?" que ajuda a mostrar como esse universo é vasto e estranho, mesmo para o Superman. Como tantos outros elementos desse novo DCU, ele está ali como semente, esperando ser regada em algum projeto futuro. E falando em mistérios…
Mr. Handsome
Talvez seja o enigma mais intrigante de todo o filme. Essa figura
branca, com traços alienígenas e aparência asséptica, parece ter saído direto de um experimento genético ou de um laboratório cósmico. Ele surge como uma espécie de
"caronte" do universo compacto de Lex Luthor, pilotando uma plataforma voadora com a tarefa de escoltar prisioneiros, como Superman, para sua cela especial feita de kryptonita. A presença de Mr. Handsome na tela é silenciosa, mas profundamente incômoda — seu design bizarro e elegante ao mesmo tempo
deixa uma impressão visual fortíssima, mesmo sem uma única fala.
Em entrevista ao Fandango, James Gunn comentou que ele foi "criado em uma placa de petri que dirige por aí em sua plataforma voadora" e que é "a criatura mais feia e grotesca do mundo" — o que, claro, se alinha perfeitamente ao humor esquisito e grotesco que Gunn adora inserir em seus filmes. Até o momento, parece ser um personagem completamente original, embora exista um Mr. Handsome nos quadrinhos da DC, ele é apenas um mafioso genérico de Gotham ligado às histórias da Mulher-Gato e claramente não tem nenhuma ligação com essa criatura de outro plano.
Supergirl - A Mulher do Amanhã.
No final do filme, somos surpreendidos com a breve, mas poderosa aparição da Supergirl, interpretada por Milly Alcock (a jovem Rhaenyra de House of the Dragon). Mesmo com poucos segundos em tela, a presença dela já anuncia o que está por vir: o futuro do DCU vai muito além do Superman, e Kara Zor-El promete trazer camadas bem diferentes à mitologia kryptoniana.
O projeto solo da personagem, Supergirl: Woman of Tomorrow, está previsto para o ano que vem e será baseado na elogiada HQ escrita por Tom King, com artes magníficas de Bilquis Evely. Nos quadrinhos, a história acompanha uma Supergirl desiludida e endurecida, que viaja pelo cosmos ao lado de uma jovem chamada Ruthye, buscando vingança contra o assassino do pai dela. É uma aventura sci-fi com tons épicos, quase como um faroeste espacial melancólico, que desconstrói a imagem da "garota perfeita" e mostra uma Kara cheia de raiva, perdas e força interior.
Com esse material como base, podemos esperar um filme mais sombrio e introspectivo do que os típicos filmes de super-herói, uma oportunidade de ouro para explorar mais profundamente Krypton, seus sobreviventes, e a forma como Kara lida com a destruição de seu planeta. Enquanto Clark chegou bebê e cresceu como humano, Kara testemunhou a queda de Krypton e carregou o trauma, tornando-a um espelho mais brutal e sincero da dor do exílio.
E tem mais: o filme já tem confirmado Jason Momoa como o Lobo, o anti-herói intergaláctico, caçador de recompensas boca-suja e extremamente carismático que promete causar um belo caos ao lado (ou contra) Kara. Se Gunn realmente seguir a proposta dos quadrinhos, veremos Supergirl e Lobo em rota de colisão, com diálogos afiados, pancadaria insana e reflexões existenciais em meio a planetas distantes. A Mulher do Amanhã vem aí — e ela não está aqui para agradar ninguém.
The Mighty Crabjoys
A banda fictícia The Mighty Crabjoys vem aparecendo discretamente no universo de James Gunn, mas sua presença já virou marca registrada do diretor. No novo filme do Superman, a banda aparece nada menos que três vezes: primeiro, é mencionada como uma das bandas favoritas de Clark Kent; depois, vemos um pôster da banda colado na parede do seu quarto em Smallville; e, por fim, uma música dos Crabjoys toca nos créditos finais.
Embora sejam fictícios, eles não passam despercebidos. A paixão musical de Clark já é um detalhe curioso nos quadrinhos — em Superboy #83, por exemplo, ele declara ter todos os CDs do Metallica. A banda também já deu as caras em Creature Commandos, quando Eric Frankenstein usa uma camiseta dos Crabjoys. E se você tem olhos de águia, deve ter notado um billboard da banda no trailer da segunda temporada de Pacificador. Ou seja, o universo DCU de Gunn já tem a sua banda oficial.
Ufa… Terminamos. Se você chegou até aqui, parabéns: sobreviveu à verdadeira Fortaleza da Densidão. O novo filme do Superman de James Gunn não é apenas uma reintrodução do Homem de Aço para uma nova geração — é uma carta de amor recheada de camadas, detalhes, acenos, sorrisos cúmplices e piscadelas para fãs dos quadrinhos, das animações, dos jogos, dos filmes clássicos e até dos mais obscuros cantos do Universo DC.
Essa enciclopédia de referências e easter eggs não é só um inventário de curiosidades nerds: é a prova de que o diretor construiu um mundo vivo, que respeita o passado e olha para o futuro. Cada nome no fundo da cena, cada placa de rua, cada personagem que ganha meio segundo de tela pode ser um elo com décadas de mitologia. Nada está ali por acaso. Gunn demonstra entender que Superman não é só um personagem, mas uma constelação de ideias, histórias e legados que atravessaram o tempo — e continua cultivando isso com cuidado, irreverência e emoção.
E se tudo isso parece demais para um filme só… é porque é mesmo. Mas tudo isso também é um lembrete de que, quando feito com carinho e conhecimento, o Superman pode voar mais alto do que nunca. E que o DCU, ao que tudo indica, está apenas começando a abrir suas páginas.
Nos vemos no próximo post. Até lá, mantenha os olhos no céu.
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